segunda-feira, 14 de março de 2011

Cerca de 2 mil caminhoneiros do Paraná estão parados no Porto de Paranaguá

O Sindicargas/MS (Sindicato dos Trabalhadores de Transportadores de Cargas e Similares de Mato Grosso do Sul) estima que cerca de 2 mil caminhoneiros que pegaram cargas no Estado estejam paralisados na BR -277, que dá acesso ao Porto de Paranaguá (PR), principal plataforma de exportação de grãos no País.

Relatos são de que há pelo menos 44 quilômetros de congestionamento.

O motivo deste entrave na entrega dos grãos nos portos pode ser a safra recorde, que de acordo com Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) terá cerca de 154,2 milhões de toneladas de grãos, 3,4% a mais que a safra anterior, que circularão pelas rodovias em direção aos portos para escoação nos próximos dias.
Segundo o presidente do Sindicargas/MS, Roberto Sinai, a falta de estrutura para descarga atrasa a vida dos caminheiros que chegam a esperar dias para descarregar os produtos e consequentemente perdem dinheiro ao deixar de transportar novas cargas.
"Com certeza temos muitos trabalhadores do Mato Grosso do Sul, como caminheiros de outras regiões que pegaram carga aqui, porque temos frota meio deficitária então temos caminhões de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, que trabalham na nossa safra também", conta Sinai.

A principal reclamação dos caminheiros é por conta da falta de pagamentos de diárias por conta dos dias parados nas estradas.

"Os embarcadores acabam se abusando dos caminheiros, fazendo os caminhões depósito, como se fossem cilos, porque eles têm a necessidade de entregar a nota fiscal no porto aduaneiro para confirmar o desembarque da carga. Mas os sindicatos estão atuando para cuidar que os embarcadores paguem as diárias de paralisação, após 24 horas , pois é um direito nosso", reclama o presidente do Sindicargas.

Sinai explica como funciona o cálculo da diária reivindicada pelos caminheiros.

"A diária é calculada em 1 real por hora, multiplicado pela a quantidade de toneladas que a carreta transporta. Então um caminheiro que fica parado um dia na estrada (24 horas) e carrega uma carga de 30 toneladas, tem direito a uma diária de R$ 720, 00, já que conduz uma carreta bi-trem, que carrega cerca de 38 toneladas receberia R$ 912,00", explica Sinai.
Sinai afirma que representantes de vários sindicatos no País estão se dirigindo para o Porto de Paranaguá para acompanhar a situação e cobrar o pagamento das diárias dos caminheiros.

Setcepar lamenta situação do Porto de Paranaguá

Diretor da entidade destaca prejuízos para o transportador

Como todos os anos, a fila de caminhões para descarregar no Porto de Paranaguá é quilométrica. Na tentativa de desafogar o tráfego de caminhões que aguardam às margens da BR-277, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) suspendeu a emissão de senhas do sistema Carga On-Line, que programa o fluxo de chegada e descarga dos caminhões ao porto, ação que não deu certo. Laudio Luiz Soder, Diretor do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná (Setcepar), comenta que este problema no Porto está longe de acabar. O motivo, segundo o Diretor, é a falta de investimentos em infraestrutura portuária. "Sabemos que infelizmente a fila ocorre todos os anos e com maior frequência nas épocas de safra, mas esta situação não deve ser vista como normal. Na verdade trata-se de um problema logístico. O porto deveria receber mais investimentos em armazéns capazes de receber os volumes de produtos que são remetidos para posterior exportação. Fato que não está ocorrendo", explica.
Soder destaca que esta situação causa prejuízos gigantescos para o transportador, pois enquanto aguarda a descarga, o caminhão não tem faturamento. E isso não acontece só no Paraná. Também o Porto de Santos enfrenta problema semelhante, ano após ano. "Com os caminhões parados, as transportadoras têm dificuldade em receber indenizações de estadias, que não cobrem os custos dos veículos parados. Os reflexos desse gargalo prejudicam o agricultor, a agroindústria e aumentam o custo dos produtos exportados. Mais um item do chamado Custo Brasil. Este é um problema que precisa ser resolvido com urgência por todos os componentes da cadeia logística, com o apoio do governo", afirma.
O Diretor do Setcepar comenta um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que informou que se o comércio internacional continuar em alta, os portos poderão não dar conta da demanda em dois anos. A pesquisa ainda aponta que para resolver os gargalos atuais, seriam necessários R$ 42,88 bilhões, que deveriam ser aplicados em construção, ampliação e recuperação de áreas portuárias, obras de acessos terrestres, dragagem e derrocamento, entre outras melhorias. "Contamos com uma infraestrutura portuária que não recebe atenção há anos. Se não queremos sofrer um apagão logístico precisamos com a máxima urgência de recursos aplicados neste segmento", finaliza.
FONTE: Campo Grande News

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