sábado, 23 de janeiro de 2010

Atualização do Código de Trânsito é importante, mas não basta

A Comissão de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados aprovou, no final de novembro, o Parecer da Deputada Rita Camata sobre o Projeto de Lei 2872/2008, de autoria do Deputado Carlos Zarattini, que busca modernizar o atual Código de Trânsito Brasileiro – CTB, vigente desde janeiro de 2008.
Embora o substitutivo da deputada Camata ainda possa vir a ser alterado e o próprio projeto corra o risco de ter sua continuidade sustada em outra das comissões do Legislativo que devem apreciá-lo, acreditamos que se manterão as importantes modificações sobre infrações e penalidades, multas e sua destinação, uso de álcool por condutor e controle pelo bafômetro, entre outros aspectos. Uma vez aprovado nessas comissões e no plenário da Câmara, o projeto de lei vai ser avaliado pelo Senado e precisará receber a sanção do Executivo, o que certamente tomará alguns meses.
Louve-se a preocupação do Legislativo, num ano em que foi tão criticado, de tomar medidas pensando na redução dos acidentes e das mais de 34.000 mortes anuais provocadas pelos acidentes de trânsito no país, um custo social e econômico inaceitável no atual esforço de desenvolvimento e melhoria das condições do Brasil. Além das famílias atingidas por essa verdadeira “guerra do trânsito”, os hospitais públicos ficam sobrecarregados pelo atendimento de acidentados e são onerados com um custo que muitas vezes se prolonga por muitos meses e mesmo anos. E a circulação de veículos, tanto nas cidades como nas estradas, tem nos acidentes uma das principais causas de congestionamento.
É preciso lembrar, no entanto, que sem investimento em educação e aprimoramento da fiscalização, por melhores que sejam as leis, o sério problema dos acidentes de trânsito não será minimizado, como se comprovou, mais uma vez, no lançamento da chamada “Lei Seca”. Nos dias em que houve forte presença do controle policial sobre os condutores de veículos em relação ao consumo de álcool, a queda de acidentes e mortes foi significativa, nas cidades e nas rodovias, chegando em algumas cidades a reduções da ordem de 50%, de acordo com dados de hospitais e prontos-socorros. A ampla divulgação pela imprensa das apreensões e penalidades colaborou nesse processo de conscientização e na conseqüente queda de danos pessoais e materiais. Mas bastou ocorrer um afrouxamento da fiscalização, para o numero de acidentes e mortes voltar a crescer.
Assim, paralelamente à atualização do CTB, é preciso criar condições para aumentar a aprimorar a fiscalização, tanto dos condutores como dos próprios veículos, que muitas vezes trafegam em condições de total insegurança, no que se refere, por exemplo, a sua capacidade de frenagem e de visibilidade noturna. O grande número de veículos velhos em circulação é certamente um fator que contribui para o aumento da insegurança, razão pela qual temos defendido um financiamento facilitado para a renovação da frota de caminhões antigos, que estão envolvidos nos acidentes mais graves.
Como o Código está sendo modificado após a consolidação do programa de concessão de rodovias e de sua supervisão pela ANTT e por agencias estaduais, existe a oportunidade de atribuir parte dessa fiscalização às próprias agencias, incluindo-as no Sistema Nacional de Trânsito. As Agencias passariam a contar com agentes da autoridade de trânsito, similarmente ao que ocorre no DNIT e nos DERs, aliviando, nas rodovias concedidas, o trabalho das polícias federal e estaduais. Vale lembrar que a ação policial, quando necessária, deve continuar com os órgãos de repressão ao crime, sendo esses agentes da autoridade de trânsito – servidores civis - responsáveis tão somente pela fiscalização dos veículos e dos condutores e por lavrar as respectivas multas no caso de infrações, especialmente as possíveis de serem constatadas por aparelho eletrônico ou equipamento audiovisual, como previsto no Código de Trânsito Brasileiro.
A formação dos integrantes da Polícia Rodoviária Federal e das polícias militares estaduais exige uma ampla especialização, que envolve o manuseio de armas entre outras capacitações, uma vez que são responsáveis pela segurança pública e fundamentais na repressão de ilícitos criminais, como o tráfico de droga e o roubo de cargas. Essas qualificações são desnecessárias para os agentes encarregados de fiscalizar o trânsito, onde o fundamental é conhecer o Código e suas exigências e normas. Assim, a criação de um corpo de agentes da autoridade de trânsito, nas agências reguladoras de transportes terrestres, especializado em fiscalização tem a vantagem de reduzir o custo de preparação, e ao mesmo tempo permite a incorporação de pessoas não necessariamente vocacionadas para as questões de segurança pública.
A hora é oportuna para que na reformulação e modernização do Código de Trânsito Brasileiro se inclua essa nova possibilidade. E, principalmente, para que se tenha uma fiscalização cada vez mais eficiente dos veículos e de seus condutores, para que possamos reduzir a atual média de uma morte para cada 260 veículos a um nível próximo ao dos países civilizados, que apresentam estatísticas de uma morte para cada 2.000 ou mais veículos.
Autor: Moacyr Servilha Duarte - Presidente da ABCR - Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"O frete parece uma doação"

"Sofremos pressão de um mercado que nos conhece bem e explora nossas fraquezas", diz Bethânia Horta, diretora da Ultrapress, de Belo Horizonte. Ela é uma rara empresária do TRC e toca o seu negócio há 11 anos, dedicando-se a carga fracionada para São Paulo, Campinas e Sorocaba. É uma inconformada com as práticas da concorrência predominante no meio, e as define com frases de efeito. Por exemplo, ela cunhou a "filantropia voluntária do comércio", para sintetizar o seu jeito crítico de ver o jogo bruto no campo da captação de fretes FOB, chamado comercial das transportadoras de carga fracionada.
Nascida em Santa Maria do Suassuí, no nordeste de Minas, Bethânia iniciou-se no ramo na Braspress. Ficou de 1993 a 1998, quando, ao ser dispensada do emprego, abriu a Ultrapress junto com o marido, Sérgio Roberto Caldeira, e com César Augusto Faria Simões, que era seu gerente na Braspress.
Penou bastante no começo e admite ter "errado muito porque tínhamos pouco dinheiro e o sócio César achava que deveríamos nascer grandes para concorrer com as gigantes". Mesmo assim, a Ultrapress mantém o figurino de sempre, com transferências terceirizadas e a coleta e entrega por frota própria (quase toda) nas pontas. Conta com cerca de 30 veículos, entre próprios e agregados, e tem 70 empregados "com carteira assinada", faz questão de frisar.
Bethânia desabafa: "No Brasil tudo passa pelos baús e carrocerias de nossos veículos. Portanto, o TRC era para ser mais beneficiado, era para ser mais rentável". A realidade é outra: "Hoje, nós devemos impostos, sabe? Não conseguimos manter a 'vida' em dia porque os preços que praticamos estão aquém do necessário". Para ela, "o TRC é refém do mercado e a reversão dessa coisa depende da óbvia união da classe", intento do qual ela já desanimou: "Participar de sindicatos é perda de tempo".
A diretora da Ultrapress dá uma balançada: "Transportar hoje é semear grãos em pedras, adubar com esperança e regar com o próprio sangue". Mas recupera o chão: "É tempo de trabalharmos em equipe e sermos uma comunidade de golfinhos, que se protege contra os predadores e se une para buscar alimento".
Vale a pena repetir o enunciado-síntese feito por Bethânia, quando diz que o TRC faz "filantropia voluntária". "Os preços do frete são verdadeiras doações", explica. Seu forte é a ironia. Mas também é amar o transporte e trabalhar por ele.
FONTE: Revista Carga Pesada

Tegma chega a 1,1 milhão de veículos

Empurrada pela expansão no mercado automobilístico, a Tegma, maior transportadora de veículos novos do país, fechou o ano de 2009 com uma marca de quase 1,1 milhão de unidades transportadas. Com 33% do mercado, a empresa aumentou em 13,1% o volume em relação a 2008 - um pouco acima do crescimento das vendas de automóveis no país, que ficou em 12,6%. Os números ainda não estão fechados, mas o resultado pode garantir à Tegma também a marca de R$ 1 bilhão em receita - no ano passado, ela faturou R$ 978 milhões.
Segundo o presidente da Tegma, Gennaro Oddone, foi um ótimo desfecho para um ano que começou muito ruim. No pior momento da crise, nos meses de novembro e dezembro de 2008, a receita da empresa chegou a cair 40% e 50% com relação ao ano anterior. A situação começou a melhorar com o reaquecimento da indústria automobilística e o sinal voltou a ficar positivo a partir de março. No fim do ano, a empresa totalizou 1.093.280 veículos transportados. Em 2008, ela havia batido os 1 milhão de unidades transportadas - foram 1.001.300 veículos.
Especializada no setor automotivo, que corresponde a 80% da receita da empresa, a Tegma depende do crescimento da indústria para crescer. Para 2010, Oddone estima um crescimento próximo dos 9,1% previstos pela Anfavea. No ano passado, a transportadora cresceu acima do total do mercado de automóveis porque incorporou em seus números o resultado da CTV, transportadora da região Norte adquirida pela Tegma no fim de 2008. "Pela nossa estratégia, estamos sempre pensando em novas aquisições, mas não temos ainda nada em vista para 2010", diz o presidente da Tegma.
Além do setor automotivo, a empresa atua no transporte de carga em geral para grandes empresas de outros ramos, como Unilever, Embratel e empresas do setor eletroeletrônico, papel e celulose e agronegócio. Mas segundo o seu principal executivo a oscilação de receita nesses ramos foi pequena em comparação ao automobilístico.
FONTE: Valor Econômico

Eaton doa mais de 100.000 dólares ao Haiti

Em apoio aos esforços humanitários em curso no Haiti, a Eaton Corporation - empresa industrial diversificada de gerenciamento de energia, doou mais de US$ 100.000 para o Fundo Internacional de Socorro a Desastres da Cruz Vermelha Americana (American Red Cross Disaster Relief Dund International), que proporciona alívio imediato e a longo prazo através de suprimentos e assistência técnica.
Além disso, os funcionários da Eaton irão contribuir com doações para o United Way Worldwide Disaster Relief Fund, que auxilia os recursos a longo prazo, de recuperação para reconstruir vidas e infra-estrutura, além dos desafios pedagógicos, financeiros e de saúde.
"Esperamos que essas doações possam levar esperança e aliviar um pouco a dor e o sofrimento da população do Haiti", disse William B. Doggett, vice-presidente sênior de assuntos públicos e da comunidade. "Estamos orgulhosos de poder amparar os necessitados e apoiar as equipes de salvamento que estão ajudando o povo haitiano".
Desde 2005, os funcionários da Eaton ao redor do mundo têm ajudado aqueles que estão passando necessidades, doando cerca de US$ 400.000 a recentes eventos catastróficos, incluindo maremotos, furacões, terremotos e tufões. Com o programa de doação da empresa, estes esforços têm contribuído aproximadamente com US$ 800.000 para o socorro de áreas em situações críticas.
Em 2008, o Fundo de Caridade Eaton doou quase US$ 8 milhões para várias organizações filantrópicas do mundo inteiro, um aumento de 14% em relação à 2007.
Para mais informações sobre o American Red Cross Disaster Relief Fund International e o United Way Worldwide Disaster Relief Fund acesse os sites www.redcross.org e https://volunteer.united-e-way.org/uwwwdisaster/donate/.
A Eaton Corporation é uma empresa industrial diversificada de gerenciamento de energia com vendas de 15.4 bilhões de dólares em 2008. A Eaton é líder global em tecnologia de componentes e sistemas elétricos para qualidade, controle e distribuição de energia; componentes hidráulicos, sistemas e serviços para equipamentos industriais e de mobilidade; sistemas aeroespaciais, hidráulicos e pneumáticos para uso comercial e militar; sistemas de transmissão de potência para veículos comerciais e automotivos projetados para desempenho, economia de combustível e segurança. A Eaton emprega aproximadamente 75.000 pessoas no mundo e vende seus produtos a clientes em mais de 150 países. Para maiores informações, visite: http://www.eaton.com.br/
FONTE: Divulgação

sábado, 16 de janeiro de 2010

Grupo Deutsche Post DHL envia equipe de resposta a desastres para apoio logístico no Haiti

Bonn - O Deutsche Post DHL, grupo líder mundial em logística e frete expresso, enviou a primeira equipe de logística ao Haiti para oferecer suporte local aos grupos de ajuda internacional. A Equipe de Resposta a Desastres da DHL Américas (DRT) irá se instalar no Aeroporto Internacional Toussaint L'Overture, na capital Porto Príncipe, de onde pretende administrar as operações de logística e, consequentemente, promover o fluxo contínuo da carga que chega ao local, incluindo a transferência e a distribuição de produtos assim que as estradas forem consideradas seguras. Todas as atividades serão realizadas em conjunto com a Organização das Nações Unidas (ONU).
"A DHL irá oferecer apoio incondicional ao povo do Haiti, bem como aos funcionários da empresa e suas famílias, neste momento de crise. Faremos de tudo para entregar à população do país os alimentos e medicamentos que chegam ao aeroporto", declarou Frank Appel, CEO do Deutsche Post DHL.
A equipe da DHL situada em Porto Príncipe, capital do Haiti, está preparada para manusear uma ampla variedade de itens, como barracas, lonas, alimentos, roupas, medicamentos e purificadores de água. A DHL pretende montar um depósito de cargas temporário no aeroporto, onde irá separar e inventariar tudo o que for recebido. A equipe também é responsável por transferir rapidamente as doações para caminhões e helicópteros. A empresa estima que estas atividades se estendam por semanas.
"Como foi criada especialmente para responder a desastres como este, a DRT está pronta para auxiliar a população do Haiti. Os integrantes da equipe foram treinados para oferecer um apoio logístico prático e efetivo, ajudando as vítimas de desastres naturais quando for necessário", afirmou Chris Weeks, Diretor de Assuntos Humanitários da DHL. "No entanto, este desastre irá exigir habilidades logísticas extraordinárias, já que a infraestrutura do país era considerada problemática antes mesmo do terremoto", conclui.
As Equipes de Resposta a Desastres da DHL - Em 2005, a DHL e o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA) deram início a uma parceria na área de Gestão de Desastres. A rede global de Resposta a Desastres da DHL é composta por três equipes, cada uma responsável por uma região específica, incluindo Ásia-Pacífico, América Latina, Caribe, Oriente Médio e África. Compostos por voluntários vindos de todas as divisões da DHL, inclusive a DHL Express e a DHL Global Forwarding, estes grupos passam por um treinamento especial. As equipes acumularam uma experiência significativa na resposta a desastres naturais de grande porte ao proporcionar auxílio logístico às vítimas do Furacão Katrina, dos terremotos que atingiram o norte do Paquistão e o Peru, e das enchentes em Burma/Myanmar. Cada equipe regional é formada por aproximadamente 80 funcionários altamente capacitados que, além de cumprir com suas funções normais, se voluntariaram para contribuir com os esforços humanitários. Até 15 membros da equipe estarão no local integralmente durante o processo.
A DRT consegue chegar à área afetada em até 72 horas, permanecendo no local o tempo necessário até que o volume de aeronaves internacionais trazendo doações tenha diminuído para níveis gerenciáveis pelas autoridades locais.
www.dp-dhl.com
Perfil do Deutsche Post DHL - O grupo Deutsche Post DHL é líder mundial em logística e frete expresso. As marcas Deutsche Post e DHL oferecem um portfólio exclusivo de serviços de logística (DHL) e comunicação (Deutsche Post). Além de produtos padronizados fáceis de usar, o Grupo oferece aos seus clientes soluções customizadas e inovadoras, que vão desde o marketing de diálogo até cadeias de suprimento industriais. Cerca de 500 mil funcionários distribuídos em mais de 220 países e territórios formam uma rede global focada no serviço, na qualidade e na sustentabilidade. Com programas nas áreas de proteção do clima, resposta a desastres e educação, o Grupo se mostra engajado na responsabilidade social. Em 2008, a receita do Deutsche Post DHL ultrapassou 54 bilhões de euros.
Fonte: Fator Brasil

Operação de socorro é um pesadelo de logística

The Wall Street Journal - O único porto do país foi destruído. O aeroporto já está lotado. Os hospitais, em ruínas. Até o presidente não tem onde morar. Porto Príncipe é uma capital sem telefone nem eletricidade.
Governos e agências mundiais de socorro corriam ontem para vencer os terríveis desafios para resgatar a população do Haiti, assolada por um forte terremoto.
Ontem, enquanto militares e equipes de resgate começavam a chegar dos Estados Unidos, Brasil e de outros países, veteranos de outros desastres naturais diziam que a trágica realidade do terremoto haitiano o diferencia de várias outras calamidades, como o tsunami de 2004 que devastou comunidades na costa do Oceano Índico e matou cerca de 250 mil pessoas.
"Há muitos aspectos que tornam esta uma situação especialmente complicada", disse Steve Hollingworth, diretor operacional da ONG internacional de operações de socorro Care, sediada em Atlanta, nos Estados Unidos.
Hollingworth e outros veteranos de resgates após tragédias naturais apontam o quase inexistente governo haitiano, a combalida infraestrutura do país e o fato de que o terremoto devastou a capital como alguns dos principais desafios que vão atrapalhar os esforços de socorro nos próximos dias e semanas. Outro problema é a extrema pobreza do país e seu histórico de violência.
"Quando a capital de um país é dizimada, você perde muito em termos de preparação e organização", disse Randy Martin, chefe de operações mundiais de emergência da Mercy Corps International. "Esse será um verdadeiro desafio."
Militares e equipes de socorro começaram a esbarrar em obstáculos enormes para levar mantimentos e pessoal ao país, mais de dois dias após o terremoto. A Cruz Vermelha do Haiti calcula que 45 mil a 50 mil o número de mortos.
Especialistas militares dos EUA restabeleceram as comunicações no aeroporto de Porto Príncipe, mas a falta de combustível e o espaço acanhado levaram o governo do Haiti a barrar o pouso de novos voos. Embora uma pista de decolagem esteja operacional, a torre de controle só conseguia atender a quatro aviões de cada vez, disseram empresas de logística.
"Sem a torre, imagino que qualquer coisa que seja transportada por via aérea provavelmente terá de ser durante o dia", disse Ed Martinez, diretor de filantropia e relações empresariais da UPS Foundation. A empresa americana de encomendas expressas está transportando suprimentos da Unicef, da Care e outras agências de socorro.
O terremoto também destruiu o principal porto de Porto Príncipe, criando um sério obstáculo para levar suprimentos em navios.
O porto "desmoronou e não está operacional", disse Mary Ann Kotlarich, da Maersk Line. A principal doca está parcialmente submersa. Os guindastes que moviam os contêineres estão debaixo d’água ou extremamente empenados.
O caos no porto é um grande obstáculo para os esforços de socorro ao país, já que deixa a Marinha dos EUA e outros navios de suprimentos sem ter onde atracar. Várias empresas marítimas estão tentando desenvolver soluções temporários. "Até o momento não se propôs nada que realmente seja uma solução", disse Mark Miller, da Crowley Maritime, uma empresa de frete marítimo de Jacksonville, na Flórida, que tem uma rede extensa de logística no Caribe.
Grupos de socorro e governos mundiais também estão lutando para coordenar as operações em meio ao vácuo de autoridade no governo haitiano. O colapso do palácio presidencial deixou o presidente René Préval sem ter onde morar. Muitos dos ministros e principais parlamentares do país ainda estão desaparecidos.
Como os serviços de telefonia continuavam sem funcionar, o presidente dos EUA, Barack Obama, não conseguiu falar com Préval ontem - num exemplo das dificuldades que serão enfrentadas ao se tentar coordenar o socorro sem o auxílio de telefones.
Autoridades do governo Obama disseram que estão trabalhando para restaurar o mais rapidamente possível pelo menos um serviço limitado de telefonia móvel. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse ao canal de notícias Fox News que o principal objetivo dos esforços americanos de socorro é "assegurar a autoridade" e "restabelecer o governo" no Haiti.
Louis Belanger, porta-voz do grupo humanitário Oxfam International, disse que o socorro está sendo atrapalhado imensamente pela falta de um meio de as pessoas se comunicarem eletronicamente.
"As autoridades locais têm criticado muito as operações de socorro, mas, para ser sincero, se conseguíssemos estabelecer alguma comunicação, as coisas andariam muito mais rápido", disse Belanger pelo telefone na fronteira entre o Haiti e a República Dominicana. "É extremamente difícil sem linhas fixas, internet ou celular."
Os grupos de socorro também alertaram para uma possível escalada de violência e tumultos, num país em que as armas são amplamente disseminadas e o colapso da principal penitenciária libertou centenas de criminosos. Saqueadores teriam invadido ontem pelo menos um armazém de alimentos - um ato que as agências de socorro temem que pode ocorrer mais se as condições piorarem.
"O principal problema que vai surgir logo é a falta de lei", disse Hollingworth, da Care. "Já há muita criminalidade no Haiti."
Um dado positivo é que várias organizações de socorro já têm uma presença considerável no Haiti. Depois que uma série de furacões arrasou a ilha, em 2008, grupos americanos de socorro armazenaram grandes quantidades de alimentos e outros suprimentos no Haiti, assim como na vizinha República Dominicana.
Mas o terremoto dizimou muitas das operações desses grupos, dispersando e até matando seus funcionários. O colapso do quartel-general da ONU e a morte de ao menos 36 funcionários da ONU, incluindo o chefe da missão de paz no país, já está atrapalhando os esforços de socorro, disseram autoridades das agências de socorro.
Essas autoridades disseram ainda que as lições aprendidas no tsunami de 2004 estão ajudando a agilizar a coordenação entre os grupos de socorro e o governo americano, apesar da dificuldade inicial de levar pessoas e equipamentos ao país. Oxfam, Care, Mercy Corps e outros grupos gastaram boa parte do dia de ontem tentando determinar como vão dividir diversas tarefas, que vão de criar empregos e saneamento a construir abrigos temporários.
Os grupos gostariam muito de evitar uma dor de cabeça que já assolou outros locais de tragédias naturais: a chegada de centenas de toneladas de roupas, enlatados e remédios desnecessários.
FONTE: Valor Econômico

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A importância da Logística Enxuta nas corporações, por Aldo Albieri*

A logística enxuta é uma extensão do conceito de produção enxuta ou "lean manufacturing", palavra que foi criada para designar o sistema de produção desenvolvido pela Toyota nos anos 70 baseado no princípio do combate a todo e qualquer desperdício.
Desperdício pode ser entendido como qualquer esforço ou iniciativa que não adicione valor ao produto ou serviço. Ou seja, aquilo que o cliente não reconhece como uma atividade ou algo que mereça ser remunerado, afinal, ele não vê o seu valor.
Ao analisar a cadeia de suprimentos tradicional constatamos que a mesma convive com todos os tipos de desperdícios e ineficiências, pois subestima a amplitude e os custos dessas perdas. Aplicar os conceitos "lean" à cadeia de suprimentos é investir nos fluxos de valor eliminando todos os desperdícios e perdas, resultando na "Logística Enxuta".
Podemos resumir que Logística Enxuta (LE) baseia-se na aplicação dos conceitos Lean (Enxuta) à Logística. A base da LE é o Kaizen, levando à melhoria contínua através da mudança de mentalidade. Apesar de ser um projeto de longo prazo, os primeiros resultados não levam tempo para aparecer.
Para otimizar os processos é preciso que o mais alto escalão da empresa entenda o que é Lean e dar total apoio aos projetos, pois essa metodologia não é uma ferramenta para redução de mão de obra, ao contrário, ela é uma otimizadora de funções dentro de uma organização.
Agora, como podemos colocar em prática a Logística Enxuta?
Para começar podemos estudar e entender os sete princípios definidos por Taiichi Ohno na procura e identificação dos desperdícios.
Taiichi nasceu na China em 1912 e começou a trabalhar na Toyota em 1932 após obter graduação em Engenharia Mecânica. Em 1949 tornou-se gerente da Produção passando por vários cargos até assumir a vice-presidência executiva em 1975 e foi o maior responsável pela implantação do sistema Lean na Toyota.
A base de sustentação de produção da Toyota foi a eliminação total do desperdício. O conceito listou os sete desperdícios que devem ser eliminados da empresa. A superprodução, foi considerada uma das maiores fontes de desperdício. A produção de produtos defeituosos também gera desperdícios e retrabalhos, o estoque, produz itens a mais do que o necessário.
O transporte, não agrega valor ao produto, e não sendo utilizado também é desperdício. A operação em alguns processos que poderiam nem existir também são considerados inadequados, materiais que aguardam em filas para seu processamento, é perda de tempo, e a movimentação desnecessária de pessoas também é considerada inviável dentro do conceito.
A partir da identificação dos desperdícios, Taiichi desenvolveu vários métodos de combate a fim de proporcionar os resultados esperados, como o just in time, Kanban, Poka-Yoke, dentre outros. Tais técnicas são consideradas simples, no entanto, denotam alta eficiência nos resultados.
O kanban, por exemplo, trata-se de um registro ou placa de sinalização que controla o fluxo de produção, isso permite a agilidade da entrega e a produção necessária de peças. Já o poka-yoke é um dispositivo de inspeção, que paralisa o processo até a identificação e correção de qualquer erro, e o just in time, consiste no conceito de se produzir e estocar somente o necessário.
Hoje, muitas pessoas ao ouvirem o termo enxuta ou "lean" argumentam que são técnicas antigas e já conhecidas. A questão é que essas técnicas ainda são válidas e o grande desafio é colocá-las em prática e obter seus resultados.
Quantas dessas pessoas realmente utilizam estes conceitos no seu dia a dia?
É necessária uma mudança de mentalidade e quebra de paradigmas para superarmos antigos e ineficientes modelos para assimilarmos os conceitos Lean e colocá-los em prática.
Por isso, além dos aspectos de eficiência, redução de custos e aumento da competitividade, a consciência "lean" é sempre bem vinda e o planeta agradece! Em tempos de economia de baixo carbono, como dizem os especialistas em sustentabilidade, a logística enxuta é mais que um aliado. A LE trabalha a favor da conservação do planeta!
*Aldo Albieri é engenheiro eletrônico formado pele FEI e especialista em logística. Com mais de 20 anos de experiência na área industrial, atualmente é consultor de negócios da ABC71 Soluções em Informática.
FONTE: O autor